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Lex Luthor e o que eu seria sem Jesus.

Por Nilson Pereira.  Primeiramente quero deixar claro que este texto é destinado a cristãos bíblicos e maduros que entend...

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Nilson (Nil) Pereira

Nilson (Nil) Pereira
Um Discípulo Professor vivendo para ser Bíblico e Missional, Pastor de Família e Escritor Amador.

sábado, 16 de março de 2013

Um dos livros da minha vida.




Por Nilson Pereira.

Aqui vai uma pequena síntese de um dos meus livros favoritos, escrito por um dos homens mais importantes da minha vida, sintetizado por homens fundamentais para a minha formação como John Stott e John Wesley. 

Estudando História aprendi o quão é importante um texto cujo a forma se destaca das demais que um ser humano pode expressar na forma da escrita: o panfleto. Um único exemplo do que estou citando pode ser o ''Manifesto Comunista'', escrito por Karl Marx e Frederich Engels, que até hoje é considerado a mais importante e imprecendível obra sobre o movimento comunista. 

 Textos panfletários contém toda a síntese de um pensamento, de um estilo de vida, de uma intelectualidade prática, ativista, esclarecedora, atraente e por muitas vezes definidora. 

A Bíblia é muito mais do que as Escrituras Sagradas para nós cristãos, é também uma coletânia única na humanidade de diversos estilos de escrita humana. Na Bíblia temos crônicas, cartas, romance não fictício, poesias, textos de retórica, apologéticos, entre outros. 

A Bíblia também tem seu panfleto. Um dos livros mais importantes da minha vida, o livro canônico de Romanos. Uma obra-prima de um dos homens mais importantes da História, da minha vida intelectual e o mais importante, da minha vida cristã. o Apóstolo Paulo. 

Apóstolo de verdade, que carregou as marcas de um cristão, da cruz, físicas, psicológicas e de qualquer forma. Apóstolo que faz com que qualquer cristão sério e reformado tenha repulsa dos que se dizem apóstolos hoje em dia, milionários e que andam com segurança, carro importado e toda a sorte de conforto que o Capitalismo pode oferecer. Bando de hipócritas fariseus. Que Deus tenha misericórdia destes.

Romanos é uma carta do Apóstolo dos gentios para a Igreja que na cidade Eterna funcionava. Roma era de longe a cidade mais cosmopolita da Antiguidade, um espécie de ''capital do mundo'', no auge do Império Romano e da perseguição a cristãos, uma Igreja que funcionava sobre o estigma da perseguição e do anonimato, uma Igreja composta por toda a espécie de nacionalidades e origens, uma Igreja que exalava o que é o Reino de Deus sobre a Terra. Um livro que diz muito sobre a sociedade judaico cristã, não apenas na Antiguidade, mas na Idade Contemporânea também. 



Em um outro texto deste blog, falei sobre o ímpeto de Paulo ir a Roma e conhecer a Igreja que lá ficava,(http://nopphistoriador.blogspot.com.br/2011/03/uma-vida-com-proposito-ou-um-proposito_21.html) o que aumenta ainda mais a concentração e dedicação que o Apóstolo teve ao escrever esta carta panfleto da vida cristã. 

Romanos é um livro sensacional, muito bem escrito, uma das mais importantes sínteses da Apologética cristã. Um fator decisivo em forma de livro sobre o estilo de vida de um cristão, um ensinamento único do Altíssimo utilizando-se das palavras do Apóstolo Paulo. Não é exagero dizer que, quem quer ser um cristão de verdade tem de estudar e dominar o conhecimento contido no livro de Romanos. 


Selecionei aqui dois capítulos do livro que tratam sobre a relação entre o cristão, Deus, e o pecado, os capítulos 5 e 6.

Minhas orações são que o Senhor esclareça de forma claro e objetiva este assunto tão importante e que nós por muitas vezes oscilamos no seu entendimento. Que Deus nos abençoe. A versão é a NVI  (Nova Versão Internacional).



Romanos 5:

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança.

E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.

De fato, no devido tempo, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios.

Dificilmente haverá alguém que morra por um justo; pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer.

Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.

Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele!

Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida!

Não apenas isso, mas também nos gloriamos em Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, mediante quem recebemos agora a reconciliação.

Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram; pois antes de ser dada a lei, o pecado já estava no mundo. Mas o pecado não é levado em conta quando não existe lei.

Todavia, a morte reinou desde o tempo de Adão até o de Moisés, mesmo sobre aqueles que não cometeram pecado semelhante à transgressão de Adão, o qual era um tipo daquele que haveria de vir.

Entretanto, não há comparação entre a dádiva e a transgressão. Pois se muitos morreram por causa da transgressão de um só, muito mais a graça de Deus, isto é, a dádiva pela graça de um só homem, Jesus Cristo, transbordou para muitos!

Não se pode comparar a dádiva de Deus com a conseqüência do pecado de um só homem: por um pecado veio o julgamento que trouxe condenação, mas a dádiva decorreu de muitas transgressões e trouxe justificação.

Se pela transgressão de um só a morte reinou por meio dele, muito mais aqueles que recebem de Deus a imensa provisão da graça e a dádiva da justiça reinarão em vida por meio de um único homem, Jesus Cristo.

Conseqüentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens.

Logo, assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos.

A lei foi introduzida para que a transgressão fosse ressaltada. Mas onde aumentou o pecado, transbordou a graça, a fim de que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reine pela justiça para conceder vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.



Romanos 6

Que diremos então? Continuaremos pecando para que a graça aumente?

De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele?

Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte?

Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.

Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição.

Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado; pois quem morreu, foi justificado do pecado.

Ora, se morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos.

Pois sabemos que, tendo sido ressuscitado dos mortos, Cristo não pode morrer outra vez: a morte não tem mais domínio sobre ele.

Porque morrendo, ele morreu para o pecado uma vez por todas; mas vivendo, vive para Deus.

Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus.

Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos.

Não ofereçam os membros dos seus corpos ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros dos seus corpos a ele, como instrumentos de justiça.

Pois o pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça.

E então? Vamos pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De maneira nenhuma!

Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça?

Mas, graças a Deus, porque, embora vocês tenham sido escravos do pecado, passaram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida.

Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça.

Falo isso em termos humanos por causa das suas limitações humanas. Assim como vocês ofereceram os membros dos seus corpos em escravidão à impureza e à maldade que leva à maldade, ofereçam-nos agora em escravidão à justiça que leva à santidade.

Quando vocês eram escravos do pecado, estavam livres da justiça.

Que fruto colheram então das coisas das quais agora vocês se envergonham? O fim delas é a morte!

Mas agora que vocês foram libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna.

Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.







quinta-feira, 7 de março de 2013

Um tributo a um gênio cristão.



Por Nilson Pereira. 

Existe um dilema comum na vida de um cristão de verdade: Como ser efetivo no mundo secular e ser um cristão firme e coerente sendo efetivo no Reino de Deus também? Muitos se perdem em heresias neste caminho.  Raros conseguem ter tamanha evidência, tamanha honra dada pelo Altíssimo de ser brilhante Nele, e ecoar profundamente Sua  luz na secularidade, sendo reconhecido por todos, cristãos e não cristãos. Certamente um dos maiores nomes destas exceções é o de Cliver Staples Lewis. 

Considerado por público e crítica, um dos maiores intelectuais do século XX, que conforme citei no texto que faz referência a Charles Spurgeon, é a sequência do século XIX, das transformações mais bruscas que a humanidade viveu em toda a História. Porém, o século nonocentista tem uma particularidade em relação ao oitocentista, as guerras. O historiador Eric Hobsbawm, referência historiográfica dos dois séculos citados, chega a afirmar que o século XX é a ''Era dos Extremos'', nunca antes houveram tantas guerras, sejam físicas, sejam ideológicas, como houveram no século XX. 

É neste cenário que se destaca um cristão, sendo exemplar no que discerne as Escrituras - ''sal e luz'', um poeta, um teólogo, um escritor, um professor universitário, um homem de Deus que foi excelente em tudo o que fez. Em tempos de uma apostasia nunca antes vista, tempos do auge do marxismo, ateísmo, comunismo, nazismo, facismo, C. S. Lewis é o maior nome de conservação da sã doutrina da primeira metade do século XX. 

Raros cristãos foram solicitados com frequência por aquela que eu considero a maior instituição jornalística do mundo até os dias de hoje, a BBC britânica, e ainda por cima para falar de Cristianismo. Raros cristãos se posicionam brilhantemente no exercício de Apologética cristã perante tamanha exposição, C.S. Lewis o fez. O resultado disto chama-se o seu livro mais famoso, um dos mais importantes de toda a minha vida, que  li totalmente digitalizado, e que ganharei de um dos meus grandes amigos, o best seller ''Cristianismo Puro e Simples''. 

Segue a descrição do livro em todos os sites de compras que o vende: 

Durante a Segunda Guerra Mundial, a BBC convidou C. S. Lewis para fazer uma série de palestras pelo rádio. Foram programas que, ao final, deram um sentido novo à vida de milhares de adultos de todas as classes e profissões. O livro Cristianismo puro e simples, que colige essas preleções legendárias, veio a ser considerado a mais popular e acessível de todas as obras de Lewis, lembrando-nos daquilo que é mais importante na vida e apontando-nos o caminho da alegria e do contentamento.

Difícil citar um outro sucesso de crítica neste nível de um mesmo autor, seja ele secular ou cristão, mas o Altíssimo usou Lewis para ser exceção mesmo, indiscutivelmente. 

Preocupado com o século em que viveu, de apostasia e heresias de forma nunca antes vistas, século de inovações que tornaram tudo maximizado na humanidade, interatividade, de comunicação, de avanços estrondosos na tecnologia, da consolidação de invenções como o telefone, o carro, o avião, a TV, e etc, Lewis resolveu criar uma fábula cristã, que não fosse assim escancaradamente. Surgiu assim o mega sucesso ''As Crônicas de Nárnia'', onde o leão é a figura de Cristo, e todo o enredo por trás desta. 


C. S. Lewis é alguém que Deus escolheu para mostrar o que pode ser um cristão para sua geração, para o mundo onde ele ainda está, o que pode ser uma mente que crê, que tem fé, uma fé que pensa, e uma razão que crê. O ''apóstolo dos céticos'', um dos maiores intelectuais da fé cristã, um dos maiores cérebros de língua inglesa da História. 

Quantos de seus pensamentos não estão contidos neste blog, ou em governos de nações, ou em instituições de ensino?  Quem nunca ouviu a frase extremamente divina: '' Voltemos ao Evangelho Puro e Simples'' na vida?  Quem nunca ouviu um presidente dos EUA citar Lewis, ou um ministro inglês? Quantos homens na História se tornaram nomes de asteroides

c. S. Lewis foi escolhido pelo Senhor para ser eternizado como um dos maiores cristãos de todos os tempos sim, mas também como um dos maiores intelectuais de todos os tempos também. Considerado um dos maiores escritores de língua inglesa da História. 

A vida de  Cliver Staples Lewis é uma verdadeira exposição apologética do Evangelho. Um homem brilhante, que ao contrário da maioria dos homens jamais se vangloriou de nada, porque sabia que era um escolhido, um instrumento nas mãos do Altíssimo.  Um homem que o mundo todo aplaudiu, e que nunca deixou de apontar para o  Gênio dos gênios! 

Não precisa descrever o tamanho da influência de Lewis sobre a minha vida, todos sabem que sou um cristão que procura se intelectualizar sempre, que vive no meio universitário, que ama apologética. Não é exagero dizer que ser um cristão bíblico, um intelectual da vida cristã nos dias de hoje, passa necessariamente por C. S. Lewis. 

Um homem que guardou a sã doutrina, defendeu a fé, se pôs o tempo todo menor do que seu Criador, foi uma das maiores vozes pensantes em favor do nosso Senhor na História. 

Segue abaixo uma pequena síntese da vida do escritor cristão, Deus nos abençoe: 


Clive Staples Lewis:

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Clive Staples Lewis (BelfastIrlanda29 de Novembro de 1898 — OxfordInglaterra22 de Novembro de 1963), mais conhecido como C. S. Lewis, foi umprofessor universitárioteólogo anglicanopoeta e escritor britânico, nascido na Irlanda, atual Irlanda do Norte. Se destacou pelo seu trabalho académico sobreliteratura medieval e pela apologética cristã que desenvolveu através de várias obras e palestras. É igualmente conhecido por ser o autor da famosa série de livros infanto-juvenis de nome As Crônicas de Nárnia, em sete volumes, pela qual lhe foi conferida inúmeros prêmios — incluindo a renomada medalha de Carnegie —, e pelo qual é mais referido.




Nascimento, infância e adolescência:

Nascido na ilha de Irlanda, Clive Staples Lewis cresceu no meio dos livros da seleta biblioteca particular de sua família, criando nesta atmosfera cultural um mundo todo próprio, dominado por sua fértil imaginação e criatividade. Os seus pais (Albert J. Lewis e Florence A. H. Lewis) eram cristãos anglicanos. Quando Clive tinha três anos decidiu adotar o nome de "Jack", nome pelo qual ficaria conhecido na família e no círculo de amigos próximos.
Quando eram adolescentes, Lewis e seu irmão Warren (três anos mais velho que ele) passavam quase todo o seu tempo dentro de casa dedicando-se à leitura de livros clássicos, e distantes da realidade materialista e tecnológica do século XX. Aos 10 anos, a morte prematura de sua mãe fez com que ele ainda mais se isolasse da vida comum dos garotos de sua idade, buscando refúgio no campo de suas histórias e fantasias infantis.
Na sua adolescência encontrou a obra do compositor Richard Wagner e começou a se interessar pela mitologia nórdica.

Educação:

Sua educação foi iniciada por um tutor particular, e mais tarde no Malvern College na Inglaterra. Em 1916, aos 18 anos de idade, foi admitido no University College, em Oxford. Seus estudos foram interrompidos pelo serviço militar na Primeira Guerra Mundial. Em 1918, retornou a Oxford.
Durante a Primeira Guerra Mundial ele conheceu um outro soldado irlandês chamado Paddy Moore, com quem travou uma amizade. Os dois fizeram uma promessa: se algum deles falecesse durante o conflito, o outro tomaria conta da família respectiva. Moore faleceu em 1918 e Lewis cumpriu com o seu compromisso. Após o final da guerra, Lewis procurou a mãe de Paddy Moore, a senhora Janie Moore, com quem estabeleceu uma profunda amizade até a morte desta em 1951. Lewis viveu em várias casas arrendadas com Moore e a sua filha Maureen, facto que desagradou o seu pai. Por esta altura Clive já tinha abandonado o cristianismo no qual fora educado na sua infância.
Ensinou no Magdalen College, de 1925 a 1954, e deste ano até sua morte, em Oxford. Foi professor de Literatura Medieval e Renascentista na Universidade de Cambridge. Tornou-se altamente respeitado neste campo de estudo, tanto como professor quanto como escritor. Seu livro A Alegoria do Amor: um Estudo da Tradição Medieval, publicado em 1936, é considerado por muitos seu mais importante trabalho, pelo qual ganhou o prêmio Gollansz Memorial de literatura. Em Oxford conheceu vários escritores famosos, como J. R. R. Tolkien (autor de O Senhor dos Anéis, de quem viria a se tornar grande amigo), T. S. EliotG. K. Chesterton e Owen Barfield.

Vida e obra:

Lewis voltou à fé cristã — após passar por anos, auto considerando-se um ateu convicto — no início da década de 1930. Dedicou-se a defendê-la e permaneceu na Igreja Anglicana (o conhecido teólogo evangélico J. I. Packer foi clérigo na igreja onde C. S. Lewis frequentava). Tornou-se popular durante a II Guerra Mundial, por suas palestras transmitidas pela rádio e por seus escritos, sendo chamado de "apóstolo dos céticos", especialmente nos Estados Unidos.
Lewis notabilizou-se por uma inteligência privilegiada, e por um estilo espirituoso e imaginativo. "O Regresso do Peregrino", publicado em 1933, "O Problema do Sofrimento" (1940), "Milagres" (1947), e"Cartas de um diabo ao seu aprendiz" (1942), são provavelmente suas obras mais conhecidas. Escreveu também uma trilogia de ficção científico-religiosa, conhecida como a "Trilogia Espacial": "Além do Planeta Silencioso" (1938), "Perelandra" (1943), e "Aquela Força Medonha" (1945). Para crianças, ele escreveu uma série de fábulas, começando com "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa" em 1950. Sua autobiografia, "Surpreendido pela Alegria", foi publicada em 1955.
C. S. Lewis morreu em 22 de novembro de 1963, no mesmo dia em que Aldous Huxley morreu, e o presidente dos Estados UnidosJohn F. Kennedy, foi assassinado. A coincidência serviu como pano de fundo para o livro O Diálogo – Um debate além da morte entre John F. Kennedy, C. S. Lewis e Aldous Huxley, de Peter Kreeft, onde os três personagens, representando o teísmo ocidental (Lewis), o humanismo ocidental (Kennedy) e o panteísmo oriental (Huxley), discutem sobre religião e cristianismo.
Encontra-se sepultado no Holy Trinity Churchyard, em HeadingtonOxfordshireInglaterra.[1]

Sucesso internacional:

É bastante conhecida sua influência sobre personalidades ilustres da nossa época, dentre elas Margaret Thatcher, ex primeira ministra do Reino Unido. Seus livros foram lidos pelos seis últimos presidentes americanos, e muitos de seus pensamentos foram citados em seus discursos.
Venderam-se mais de 200 milhões de cópias dos 38 livros escritos por Lewis, os quais foram traduzidos para mais de 30 línguas, incluindo a série completa de Nárnia para a língua russa. Entre 1996 e 1998, quando foi celebrado o seu centenário, foram escritos cerca de 50 novos livros sobre sua vida e seus trabalhos, completando mais de 150 livros desde o primeiro, escrito em 1949 por Chad Walsh: "C. S. Lewis: O Apóstolo dos Céticos". Foi dado seu nome a um asteróide, o 7644 Cslewis, descoberto em 4 de novembro de 1988 por Antonín Mrkos.

Obras:

Não ficcionais:

The Allegory of Love: A Study in Medieval Tradition (1936)
Rehabilitations and other essays (1939) — com dois ensaios não incluídos, Essay Collection (2000)
The Personal Heresy: A Controversy (com E. M. W. Tillyard, 1939)
The Problem of Pain (1940) (reeditado em português como O problema do sofrimento, Vida, 2006)
A Preface to Paradise Lost (1942)
The Abolition of Man (1943) (reeditado em português pela Martins Fontes como A Abolição do Homem)
Beyond Personality (1944)
Miracles: A Preliminary Study (1947, revisado em 1960) (reeditado em português como Milagres, Vida, 2006)
Arthurian Torso (1948; sobre a poesia de Charles Willliams)
Mere Christianity (1952; baseado em palestras por rádio de 1941-1944) (publicado em português como Mero Cristianismo, e recentemente reeditado pela Martins Fontes como Cristianismo Puro e Simples)
English Literature in the Sixteenth Century Excluding Drama (1954)
Surprised by Joy: The Shape of My Early Life (1955; autobiografia) (publicado em português pela Editora Vida como Surpreendido pela Alegria)
Reflections on the Psalms (1958)
The Four Loves (1960) (reeditado em português pela Martins Fontes como Os Quatro Amores)
Studies in Words (1960)
An Experiment in Criticism (1961)
A Grief Observed (1961; publicado inicialmente sob o pseudônimo de N. W. Clerk) (publicação inédita em português como A anatomia de uma dor, Vida, 2006)
The Discarded Image: An Introduction to Medieval and Renaissance Literature (1964)
God in the Dock: Essays on Theology and Ethics (1970), ou Undeceptions (1971) — todos incluídos em Essay Collection (2000)
Studies in Medieval and Renaissance Literature (1966) — não incluído em Essay Collection (2000)
Spenser's Images of Life (ed. Alastair Fowler1967)
Letters to an American Lady (1967)(publicação inédita em português como Cartas a uma senhora americana, Vida, 2006)
Selected Literary Essays (1969) — não incluído em Essay Collection (2000)
Letters to Malcolm: Chiefly on Prayer (1972)
Of Other Worlds (1982; ensaios) — com apenas um ensaio não incluído em Essay Collection
All My Road Before Me: The Diary of C. S. Lewis 1922-27 (1993)
Essay Collection: Literature, Philosophy and Short Stories (2000)
Essay Collection: Faith, Christianity and the Church (2000)
Collected Letters, Vol. I: Family Letters 1905-1931 (2000)
Collected Letters, Vol. II: Books, Broadcasts and War 1931-1949 (2004)

Ficcionais:

The Pilgrim's Regress (1933) (O Regresso do Peregrino)
As Crônicas de Nárnia (toda a série foi publicada em português)
The Magician's Nephew - O Sobrinho do Mago (Também chamado de Os Anéis Mágicos)
The Lion, the Witch and the Wardrobe (1950) - O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa
Prince Caspian (1951) - Príncipe Caspian
The Voyage of the Dawn Treader (1952) - A Viagem do Peregrino da Alvorada (Também chamado de O Navio da Alvorada)
The Silver Chair (1953) - (A Cadeira de Prata)
The Horse and His Boy (1954) - O Cavalo e seu Menino (Também chamado de O Cavalo e o Menino)
The Last Battle (1956) - A Última Batalha
Out of the Silent Planet (1938) (publicado em português como Longe do Planeta Silencioso ou Além do Planeta Silencioso)
Perelandra (1943) (publicado em português como Perelandra)
That Hideous Strength (1945) (publicado em português como Aquela Força Medonha)
The Screwtape Letters (1942) (publicado em português como Cartas do inferno ou As Cartas do Coisa-Ruim, e recentemente reeditado pela Martins Fontes como Cartas de um diabo ao seu aprendiz)
The Great Divorce (1945) (reeditado em português como O grande abismo, Vida, 2006)
Till We Have Faces (1956)
Letters to Malcolm: Chiefly on Prayer (1963)
The Dark Tower and other stories (1977)
Boxen: The Imaginary World of the Young C. S. Lewis (ed. Walter Hooper, 1985)

Poesia:

Spirits in Bondage (1919; publicado sobre o pseudônimo de Clive Hamilton)
Dymer (1926; publicado sobre o pseudônimo de Clive Hamilton)
Narrative Poems (ed. Walter Hooper, 1969; inclui Dymer)
The Collected Poems of C. S. Lewis (ed. Walter Hooper, 1994; inclui Spirits in Bondage)
[editar]Obras sobre C. S. Lewis
O Milagre do Livro "Milagres", (Agbook), de João Valente de Miranda
O Destinograma, (Clube de Autores), Ficção, de João Valente de Miranda
O Grande Divórcio do Egocentrismo, (Agbook e Clube de Autores), de João Valente de Miranda
C.S. Lewis e Freud debatem sobre Deus, amor, sexo, e o sentido da vida (trad. Gabriele Greggersen - Ed. Ultimato) de Armand Nicoli
Manual Prático de Nárnia de Colin Duriez
O Imaginário em As Crônicas de Nárnia (ed. Mundo Cristão) de Glauco Barreira Magalhães Filho
Lições das Crônicas de Nárnia (ed. Abba Press) de Glauco Barreira Magalhães Filho
O dom da amizade: Tolkien e C. S. Lewis (Tolkien and C. S. Lewis), (Ed. Nova Fronteira) de Colin Duriez
Referências

Bibliografia:

Barker, Dan. Losing Faith in Faith: From Preacher to Atheist (em inglês). Madison: Freedom from Religion Foundation, 1992. ISBN 1-877733-07-5
Carpenter, Humphrey. The Inklings (em inglês). Londres: Allen & Unwin, 1978.
Carpenter, Humphrey. The Inklings: CS Lewis, JRR Tolkien and Their Friends (em inglês). [S.l.]: HarperCollins, 2006. ISBN 0-00-774869-8
Dodd, Celia. Human nature: Universally acknowledged (em inglês). Londres: The Times, 2004.








quarta-feira, 6 de março de 2013

''O príncipe dos pregadores'', uma das maiores referências da minha vida.




Por Nilson Pereira. 

Refleti bastante sobre um adjetivo que descrevesse de forma sucinta  a atual conjectura da humanidade, porém, não encontrei um termo melhor do que ''estranho''. 

Vivemos tempos estranhos, nós cristãos descrevemos como os últimos dias, os ateus dizem que se trata de uma fase de fortíssima transição, islâmicos dizem que se trata do auge da imoralidade ocidental, enfim, todos os segmentos humanos são unânimes em dizer que vivemos no século XXI tempos de conturbações, contradições, crise gravíssima de referências de lideranças mundial. Tempos estranhos, talvez o mais estranho de toda a História humana. 

Como estudante de História, é ofício meu o  hábito saudável de olhar para o passado. Passado que nos proporciona como cristãos analisar a vida de  homens icônicos que o Altíssimo escolheu para abençoar todas as gerações humanas ao redor da História deste planeta. 

Este blog possui textos homenageando John Stott e  indiretamente o Apóstolo Paulo, João Calvino e Martinho Lutero, o professor Ausgustus Nicodemus Lopes e ainda quero escrever sobre o gênio cristão C. S. Lewis, sobre o  exortador Paul Washer,  dentre outros, homens que o meu Deus usou para formar o que sou hoje como filho Dele, porém, com exceção de Cristo Jesus, meu Deus, meu único ídolo, e razão da minha vida, nenhum homem me inspira mais do que Charles Haddon Spurgeon. Não é atoa que duas das imagens fixas deste blog são frases de Spurgeon. 

Há anos atrás, li um livro chamado ''Heróis da Fé'', de Orlando Boyer, e de todas as geniais, marcantes, e inspiradoras no maior grau da palavra, histórias, a de Charles Spurgeon foi a que mais inflamou meu coração. Desde os seus dons, rigorosamente os mesmos que o Senhor me agraciou de possuir, até seu relacionamento com sua esposa, passando pelo seu devocional, e sua ascendência ibérica, Spurgeon é certamente a maior referência de intelectualidade cristã que me falta por ser um homem temente a Deus vivendo no século XXI, afinal, qual homem teve o privilégio de receber do Senhor e de Seus filhos o título master de ''príncipe dos pregadores''?

Charles Spurgeon é um homem que viveu totalmente no século XIX, século extremamente conturbado na História humana, alguns historiadores são dinâmicos ao declarar que o século oitocentista foi o de maiores mudanças na humanidade, mudanças em todos os pólos humanos, mentalidades, economia, política, social, religiosa. Século do surgimento de seitas e heresias constantemente, do crescimento da apostasia e do ateísmo. Se há um século semelhante ao panorama do atual, certamente é o XIX. Considerado o ''último dos puritanos', alguns  mais radicais o chamam de último grande mestre cristão. 




Um homem especial demais, que certamente será um dos primeiros que farei de tudo para dar um forte abraço no grande dia do Senhor.  

Abaixo postarei uma breve síntese da vida de Charles Spurgeon, sua obra, e sua contribuição para a doutrina cristã. Deus nos abençoe, e que marque a vida dos irmãos de hoje em dia os ensinamentos destes mestres geniais que professaram a mesma fé que nós.

Charles Haddon Spurgeon:

 Comumente referido como C. H. Spurgeon (KelvedonEssex19 de junho de 1834 — Menton31 de janeiro de 1892), foi um pregador batista reformado britânico.
Converteu-se ao cristianismo em 6 de janeiro de 1850, aos quinze anos de idade. Aos dezesseis, pregou seu primeiro sermão; no ano seguinte tornou-sepastor de uma igreja batista em Waterbeach, Condado de Cambridgeshire (Inglaterra). Em 1854, Spurgeon, então com vinte anos, foi chamado para ser pastor na capela de New Park Street, Londres, que mais tarde viria a chamar-se Tabernáculo Metropolitano, transferindo-se para novo prédio.
Desde o início do ministério, seu talento para a exposição dos textos bíblicos foi considerado extraordinário. E sua excelência na pregação nas Escrituras Bíblicas lhe deram o título de O Príncipe dos Pregadores e O Último dos Puritanos.

Histórico:

A família de Spurgeon, escapando da perseguição contra os protestantes perpetrada por Filipe II, fugiu da Holanda para Inglaterra, por volta de 1570, estabelecendo na região de East Anglia. No século XVII, os Spurgeons sofreram dura perseguição incitada por Carlos II contra os não-conformistas (dissidentes da Igreja Anglicana que não aceitaram o Ato de Uniformidade de 1662). Anos mais tarde, os Spurgeons estabeleceram em Stambourne.

Charles Haddon Spurgeon nasceu em 19 de Junho de 1834, como o primogênito de 16 irmãos, de John Spurgeon e sua esposa Eliza Jarvis, em Keveldon, e foi batizado em 3 de agosto desse ano por seu avô, pastor congregacional, James Spurgeon. Recebeu o nome de 'Charles' de um tio de sua mãe. 'Haddon', devido a um antigo amigo da família de Spurgeon que os ajudou em hora de necessidade. Em agosto de 1835, seus pais mudaram para Colchester,e entregaram Charles aos cuidados de seu avô, com quem viveu até os 5 anos. Durante esse tempo, leu muitos livros, entre eles The Piligrems Progress,(em português "O Peregrino") de John Bunyan, obra que marcaria o resto de sua vida. Também leu, da biblioteca de sua avó, muitas obras de Puritanos, como Richard Baxter e John Owen. Aos seis anos, voltou a morar com os pais, já devidamente instalados em Colchester.

Aos 10 anos, um pastor chamado Richar Knill impressionou muito ao jovem Charles ao declarar que "esse menino pregaria o Evangelho a grandes multidões". Esse fato marcou profundamente a mente da jovem criança. Spurgeon cursou seus estudos em Colchester até 1848, indo depois a Newmarket para estudar numa escola localizada na área de Cambridgeshire.

Conversão:

De 1848 a 1850, Charles Spurgeon teve um período de muitas dúvidas e amarguras. Esteve sob grande convicção de pecado. Ficou convicto que não era um cristão de fato, mesmo sendo criado em todo o ambiente religioso de sua família e região, e sobre forte influência puritana e não-conformista. Em janeiro de 1850, tendo como objetivo ir a uma reunião matutina em uma igreja congregacional em Colchester, para buscar paz em sua perturbada alma, se deteve numa capela de metodistas primitivos em Artilley Stree, mais em consequência da forte nevasca que por vontade própria. Nessa capela, o jovem juntou-se a pequena congregação quando, sem pregador para ministrar a Palavra, um simples ministro intinerante chamado Robert Eaglen, em missão pela região de Colchester entre 1850-1851 [1], nesse dia, subiu ao púlpito, mesmo sem grande habilidade de orador, e repetiu nervosa e constantemente o texto de Isaías 45.22a: ''Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra.''  Depois de certo tempo, apelou aos presentes que olhassem para Jesus Cristo. Spurgeon olhou para Jesus com fé e arrependimento, tendo Ele como seu Salvador e substituto, e foi salvo.

Primeiros anos:

Após a conversão, Spurgeon voltou das férias em Colchester para Newmarket. Foi batizado pelo pastor batista da Igreja de Islehan, W.W.Cantolw, no rio Lark , em 3 de maio de 1850, e foi aceito na congregação batista de Newmarket. Depois, Spurgeon começou a distribuir folhetos nas ruas e a ensinar a Bíblia na escola dominical para crianças. Em agosto, mudou-se para Cambridge. Trabalhou na escola dominical também. Nesse mesmo ano, pregou seu primeiro sermão em Teversham. Em outubro de 1851, foi convidado a pregar na Igreja Batista de Waterbeach, ao norte de Cambridge. A congregação, cresceu rapidamente. Em Janeiro de 1852, Spurgeon aceitou o pastorado efetivo dessa Capela. A fama de Spurgeon logo cresceu na região, como um potente pregador.
Spurgeon pensou em cursar um seminário em 1852, mas desistiu da ideia. Em novembro de 1853, Spurgeon falou na União das Escolas Dominicais de Cambridge. George Gould, diácono em Essex, o ouviu, e contou sobre o jovem pregador a Thomas Olney, diácono-chefe da Capela de New Park Street, que o convidou a pregar nessa Igreja em dezembro de 1853. Em 1854, os mebros de New Park Street, sem pastor efetivo desde 1853, convidaram de novo o jovem a pregar, e nessa ocasião, convidaram-lhe para ser testado por seis meses para assumir o pastorado vago da Igreja. Porem, em Abril de 1854,só 2 meses depois, foi eleito pastor e confirmado no cargo, o qual preencheu efetivamente até 1891.

New Park Street:

Localizada em uma área metropolitana, a Capela Batista da Rua de New Park, (New Park Street Chapel) em Southwak, outrora fora uma das maiores igrejas da Inglaterra. No entanto, naquele momento, o edifício, com 1.200 lugares, contava com uma platéia de 232 pessoas.
No início, eu pregava somente a um punhado de ouvintes. Contudo, não me esqueço da insistência das suas orações. Às vezes, parecia que eles rogavam até verem a presença de Jesus ali para abençoá-los. Assim desceu a bênção, a casa começou a se encher de ouvintes e foram salvas dezenas de almas, lembrou Spurgeon alguns anos depois.
Spurgeon logo causou muita agitação em Londres; alguns o criticavam pelo seu estilo de pregação (teatral demais para alguns; 'caipira' e vulgar para outros). Spurgeon era posto em dúvida até mesmo por seus colegas batistas. Alguns chegaram a publicar em jornais sobre suas dúvidas da real conversão do jovem Spurgeon. Mesmo com toda a oposição, a antes vazia e reduzida congregação atraiu a atenção de tantos, que em certos periódicos chegou-se a citar que"desde os tempos de George Whitefield e John Wesley, Londres não era tão agitada por um reavivador." Diversas caricaturas foram publicadas, algumas o elogiando, e outras debochando de sua pregação.
Depois de 1861, o prédio da congregação em New Park Street foi ocasionalmente usado para comportar os primeiros alunos do "Colégio do Pastor". Em 1866, a Capela foi fechada e vendida, e posteriormente, demolida.

Tabernáculo Metropolitano:

Nos anos que se seguiram, o templo, antes vazio, não suportava a audiência, que chegou a dez mil pessoas, somado a assistência de todos os cultos da semana. O número de pessoas era tão grande que as ruas próximas à igreja se tomaram intransitáveis. Tentou-se ampliar a Capela de New Park Street, em 1858, mas logo viu-se a necessidade de um local ainda maior. Portanto, foi construído o grandeTabernáculo Metropolitano,em Newington, com capacidade para 12 mil ouvintes, e aberto em 25 de março de 1861. Mesmo assim, de três em três meses, Spurgeon pedia às pessoas, que tivessem assistido aos cultos naquele período, que se ausentassem a fim de que outros pudessem estar no templo para conhecer a Palavra.
No começo de seu ministério, Spurgeon, um ardoroso calvinista desde o inicio de sua conversão, teve que se defender da acusação de ser mais pendente ao arminianismo do que os demais batistas particulares (deve-se notar que um dos predecessores de Spurgeon no pastorado de New Park Street foi o pastor e teólogo John Gill, que em muitas ocasiões era um ferrenho hipercalvinistas). Em diversas ocasiões Spurgeon pregou sermões que provavam que seus acusadores estavam equivocados.

Com o passar do tempo, Charles Haddon Spurgeon se tornou uma celebridade mundial. Recebia convites para pregar em outras cidades da Inglaterra, bem como em outros países como FrançaEscóciaIrlandaPaís de GalesHolanda e Estados Unidos (foi convidado a pregar em Nova York, e em diversas outras oportunidades na América, mas sempre recusou os convites). Spurgeon pregava não só em reuniões ao ar livre, mas também nos maiores edifícios de 8 a 12 vezes por semana.
Segundo uma de suas biografias, o maior auditório em que pregou continha, exatamente, 23.654 pessoas: este imenso público lotou o The Crystal Palace, de Londres, no dia 7 de outubro de 1857, para ouvi-lo pregar por mais de duas horas.
Casou-se em 20 de setembro de 1856 com Susannah Thompson e teve dois filhos, os gêmeos não-idênticos Thomas e Charles. Fazíamos cultos domésticos sempre; quer hospedados em um rancho nas serras, quer em um suntuoso quarto de hotel na cidade. E a bendita presença do Espírito Santo, que muitos crentes dizem ser impossível alcançar, era para nós a atmosfera natural. Vivíamos e respirávamos nEle, relatou, certa vez, Susannah. Thomas Spurgeonchegou a pastorear o Tabernáculo Metropolitano 2 anos após a morte de seu pai.

Sermões:

A importância de Charles Haddon Spurgeon como pregador só encontra parâmetros em seus trabalhos impressos. Spurgeon e seu amigo John Passmore, um editor e membro de New Park Street, começaram, em 1855, a publicar semanalmente sermões impressões, vendidos à baixos preços. Pelos idos de 1850, era uma prática muito comum a publicação e distribuição de sermões escritos, pelos maiores pastores não conformistas tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos. Spurgeon publicou seu primeiro sermão em Cambridge, num sermonário avulso, e em 1855, surgiu a ocasião da publicação semanal. Os sermões pregados por Spurgeon domingo de manhã, eram publicados na quinta-feira seguinte, ( e revisados pelo próprio Spurgeon) e os sermões pregados domingo a noite e quinta-feira a noite eram reservados para futura publicação: isso e mais alguns sermões escritos por Spurgeon quando doente formaram um tal acervo que garantiu a publicação semanal até o ano da morte de Spurgeon, ( até essa data, 2241 publicados) e dos outros até 1917, totalizando 3.653 sermões publicados divididos em 63 volumes ( maior que a Enciclopédia Britânica e até hoje considerada a maior quantidade de textos escritos por um único cristão em toda a história da cristianismo). O sermão nº 537 "A Regeneração Batismal" pregado em 1864, foi o que mais vendeu individualmente quando Spurgeon era vivo; a demanda chegou a 300.000 impressões em uma semana. Em 1892, os sermões de Spurgeon já eram traduzidos para cerca de 9 línguas diferentes.

Muitos sermões de Spurgeon eram enviados via telegrafo aos Estados Unidos e republicados lá: depois de 1865, muitos deles foram censurados, pelo fato de Spurgeon ser totalmente contra a escravidão dos negros africanos (Nessa época, ocorreu a Guerra de Sesseção)
Também escreveu e editou 135 livros durante 27 anos (1857-1892) e editou uma revista mensal denominada A Espada e a Espátula. Seus vários comentários bíblicos ainda são muito lidos. (O seu "Tesouro de Davi”, uma compilação de comentários sobre os Salmos, levou mais de 20 anos para sua conclusão).

Colégio do Pastor e obra evangelista:

Spurgeon, desde o início de seu pastorado, começou a treinar alguns jovens que ele cria terem o chamado para obra evangelística e pastorado. Seu primeiro aluno foi Thomas Medhurst, em 1856. Com o tempo, muitos jovens começaram a requerer de Spurgeon instrução, e ele, junto com o congregacional George Rogers abriram, em 1856 o "Colégio do Pastor", e Rogers foi colocado como diretor. Nos primeiros anos, o Colégio funcionou na casa de Rogers, e Spurgeon bancava as despesas dos alunos, com o lucro da venda de seus livros e sermões. Depois de certo tempo e o aumento dos alunos, as aulas eram dadas na antiga e desocupada Capela de New Park Street, e posteriormente, na parte inferior do Tabernáculo Metropolitano. Várias Conferências Pastorais na época de Spurgeon foram realizadas nesse colégio. Até mesmo um brasileiro, João Manoel Gonçalves dos Santos, foi enviado pelo Dr. Robert Kalley do Rio de Janeiro em 1872 para se preparar para o ministério pastoral nesse Colégio, regressando em 1875, e sendo depois o primeiro ministro protestante congregacional brasileiro.
Depois da morte de Spurgeon, em sua homenagem, o Colégio foi renomeado de Spurgeon College , e construído em outro prédio; hoje, é uma instituição não vinculada com o ministério do Tabernáculo (que tem um seminário próprio) perdendo assim vários aspectos ligados a fé reformada e ao ministério calvinista de Spurgeon. Todavia continua sendo uma instituição de preparação de pastores ao ministério.
Em conexão com esse trabalho, surgiu uma associação de colportores, responsáveis pela evangelização e distribuição de material evangelístico e teológico. Em 1891,essa Colportagem contava com 96 associados. Mais tarde, a esposa de Spurgeon, Sussanah, abriu um fundo de para distribuição de literatura para pastores, e um fundo de ajuda aos pastores pobres

Obras assistenciais:

Quando Spurgeon chegou Londres, a Capela de New Park Street mantinha uma casa, desde a época do pastorado de John Rippon, no século XVIII, destinada ao cuidado das viúvas pobres e necessitadas. Nesse local, elas viviam gratuitamente. Depois de 1861, foi construído um novo prédio, e instalado perto do Tabernáculo Metropolitano.


Orfanato Stockwell:

A ideia para abrir o futuro Orfanato Stockwell para meninos nasceu em 1866, de uma reunião de oração, quando Spurgeon sentiu o desejo de fazer mais da Obra do Senhor aos necessitados. Uma volumosa oferta lhe chegou em mãos, e Spurgeon a recusou, até mesmo sugerindo que se doasse o dinheiro para o famosos irmão George Muller, conhecido por manter uma grande obra social em Bristol. Porem, a ofertante insistiu que Spurgeon tocasse esse projeto. Assim, teve para si que era reposta a oração feita anteriormente, Em 1867 o orfanato foi construído, em Stockwell. Em 1876, foi aberto outro orfanato, esse para meninas.
Também depois de 1861, e com o grande aumento do Tabernáculo, foi aberto um fundo de ajuda aos necessitados da igreja. Outros grupos de senhoras tinham uma associação de benfeitoras, e uma sociedade para ajudar moças pobres grávidas foi inaugurada. Diversas outras obras de cunho assistencial foram abertas com o fim de ajudar os necessitados de Londres.

Luta e oposição: A controvérsia do Declínio:

Spurgeon enfrentou muita oposição no fim de seu ministério. Em 1887, ele foi envolvido na que se chamou "A controvérsia da Declínio": em Março e Abril de 1887, Robert Schilinder escreveu dois artigos para a revista de Spurgeon, "A Espada e a Colher" (com anuência e influência de Spurgeon) descrevendo o declínio teológico das igrejas batistas inglesas, associando esse declínio ao abandono do calvinismo e a incredulidade de muitos quanto a infabilidade e inspiração da Bíblia, por conta do racionalismo alemão que contaminava várias igrejas; Spurgeon, vendo que as acusações eram verdadeiras e reagindo as críticas dos artigos de Schilinder em outros 3 artigos, apoiou isso, e ainda afirmou que a União Batista não estava repelindo isso, mas antes abrigando isso em seu meio, por conta de não ter uma confissão de fé mais elaborada, e por aceitar pastores claramente anti-trinitarianos em suas convenções, e ainda criticou aqueles que, por aceitarem o criticismo contra a inspiração bíblica, apoiavam entretenimento nas igrejas.

 Spurgeon foi duramente criticado, sendo acusado de criar intriga onde não existia, e acusado de estar sendo influenciado por suas doenças, acusações infundadas pois o próprio secretário geral da União havia informado a Spurgeon extra-oficialmente que havia casos de pastores criticarem partes da Palavra de Deus e frequentarem teatros e aceitavam pastores socianos em seus púlpitos. Porem, logo após a controvérsia, o secretário e outros quiseram inquirir Spurgeon sobre suas críticas; em outubro, Spurgeon pediu sua saída da União em 28 de Outubro de 1887, por acreditar que a mesma estava contrária a princípios da Palavra, e em janeiro, a União aprovou sua saída e ainda aprovou uma moção de censura contra Spurgeon. em abril, a União aprovou uma confissão de fé mínima, mas ela mesma aprovou que não podia impô-la para nenhum membro e igreja.

É certo para muitos que essa controvérsia, que foi travada em sermões, reuniões e editoriais, desgastou ainda mais a debilitada saúde de Spurgeon. A Igreja apoiou sua saida, se retirando tambem, da União. Posteriormente, a congregação batista voltou a se associar a União, mas desde que Peter Master assumiu o pastorado do Tabernáculo Metropolitano, em 1970, ela rompeu novamente com a União Batista.

Últimos dias:

té o último ano de pastorado, 14.692 pessoas foram batizadas sob seu pastorado. Nesse meio tempo, Spurgeon teve sua saúde grandemente debilitada. Spurgeon desenvolveu, por volta dos 25 anos, Gota e Reumatismo, e grandes ataques de depressão, principalmente depois de 1857, quando um culto realizado em Surrey Garden foi organizado para cerca de 10.000, e devido a um tumulto provocado por um falso alarme de incêndio, levou a morte seis pessoas. Quanto mais a idade avançava, mais essas enfermidades o debilitavam. Spurgeon posteriormente teve uma melhora da Gota, mas nunca esteve em pleno vigor novamente. Sua esposa Susanna também tinha graves problemas de saúde, devido a cirurgia que a deixou praticamente inválida por diversos anos e isso agravava mais ainda a situação. Por diversas ocasiões Spurgeon teve que se ausentar de seu púlpito por recomendação médica. Chegou a passar alguns período de férias na Europa, e depois de 1876, muitas vezes, sempre no fim do ano, se hospedava em Menton, Sul da França, pelo clima mais quente que na Inglaterra, por recomendação médica. Depois de 1887, foram cada vez mais constantes essas viagens, chegando a passar meses em retiro.
Nessa época, Spurgeon foi diagnosticado de doença de Bright, uma doença renal degenerativa e crônica, hoje denominada de insuficiência renal crónica. Muitos sermões seus eram lidos, e outros escritos e enviados ao Tabernáculo para leitura, para suprir a falta do pastor. Em 1891, sua condição se agravou, forçando Spurgeon a convidar o pastor presbiteriano Arthur Pierson, dos Estados Unidos, para assumir temporariamente a função principal no Tabernáculo; e Spurgeon ficou em Mentonaté 31 de janeiro de 1892, quando, depois de alguns dias de melhora de seu estado, houve uma grande deterioração de sua saúde, levando ao óbito nessa data, aos 57 anos. O corpo de Spurgeon foi trasladado da França para Inglaterra, onde foi sepultado no West Norwood Cemetery and Crematorium, próximo a Londres. Na ocasião de seu funeral - 11 de fevereiro de 1892 - muitos cortejos e cultos foram organizados em Londres, e seis mil pessoas leram diante de seu caixão o texto de sua conversão, Isaías 45.22a: Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra. Spurgeon está sepultado no cemitério de Norwood, com uma placa que diz Aqui jaz o corpo de CHARLES HADDON SPURGEON, esperando o aparecimento do seu Senhor e Salvador JESUS CRISTO.

Período pós-Spurgeon:

http://bits.wikimedia.org/static-1.21wmf10/skins/common/images/magnify-clip.pngEm 1893, Arthur Pierson voltou aos Estados Unidos, e o Tabernáculo Metropolitano foi pastoreado por Thomas Spurgeon, um dos filhos gêmeos de Charles, e que fora pastor na Austrália. Em 1898, devido a um incêndio, o Tabernáculo Metropolitano foi completamente destruído, só restando dele o pórtico frontal. Foi reconstruído e re-inaugurado em 1901, seguindo o modelo original de 1861. Em 1908, assumiu o pastorado do Tabernáculo Archibald G. Brown, (que fora conhecido de Spurgeon e também se retirara da União Batista em solidariedade a Spurgeon). Em 1911, assumiu o pastorado o pastor americano Anzi Clarence Dixon, que afastou doutrinariamente a Igreja das doutrinas pregadas por seus antecessores, incluindo até novidades, como um orgão (na época de Spurgeon, os hinos eram cantados à capela), entre outras, como promover cruzadas de "Decisões por Cristo" no Tabernáculo (prática norte-americana que foi inicialmente desenvolvida por Charles Finney). Pediu demissão em 1919, sendo sucedido pelo pastor calvinista Tydeman Chilvers Harry
Em 1938 , o Dr. W Graham Scroggie, assumiu o pastorado; em 1941, devido a Segunda Guerra Mundial, e aos bombardeios de Londres pelos Nazistas, o Tabernáculo Metropolitano foi novamente incendiado e destruído. Seria totalmente reconstruído em 1957 (com um projeto arquitetônico diferente do original, e menor que o original) sob o pastorado de Eric W Hayden (que foi sucessor de Gerald B Griffiths, até 1954)
Dennis Pascoe, foi pastor da Igreja de 1963 até 1970, quando Peter Master assumiu o pastorado e o mantêm até os dias de hoje. Ele resgatou muito do que foi ensinado por Spurgeon, e re-colocou em prática no serviço dominical, nas escolas dominicais, e nas ações evangelísticas.

Alguns dos trabalhos escritos mais conhecidos de Charles Haddon Spurgeon:

New Park Street Pulpit Volums and Metropolitan Tabernacle Pulpit Volums — 63 volumes de sermões publicados por Spurgeon pela Alabaster & Passmore, de 1855 a 1917, divididos em duas grandes seções (NPSPV de 1855 a 1861, e MTPV de 1861 a 1917)

All of Grace — editado em português sob o título Tudo pela Graça.

Miracles and Parables of Our Lord — três volumes.

The Clue of Mazen — livro escrito por Spurgeon em Menton, sul da França, sobre a fé e a dúvida, em português publicado como "A Dica do Labirinto".

Spurgeon’s Morning and Evening — livro de leituras devocionais diárias.

The Sword and The Trowel — revista mensal editada por Spurgeon.

The Treasury of David — comentário em vários volumes sobre os Salmos

Around the Wicket Gate — Livros escrito como complemento ao All of Grace; publicado em português como Diante da Porta Estreita.

Till He Come — sermões sobre a ceia do Senhor.

A Puritan Catechism — uma compilação feita por Spurgeon em 1855 usando as Confissões de Fé Batista de 1689 e a Confissão de Fé de Westminster.

Come, ye children — sermões sobre a evangelização infantil e as escolas dominicais.

Faith's Checkbook — Devocionário escrito na época na Controvérsia do Declínio.





Verdadeiro Cristianismo:

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