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Nilson de O. P. Pereira

Nilson de O. P. Pereira
Um Cristão vivendo para ser Bíblico, Missional, Pastor de Família e Professor Reformado nas Relações.

Verdadeiro Cristianismo:

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Nações e Nacionalismo, a construção de um modelo histórico.



Por Nilson Pereira.




Os dois últimos séculos da história humana no planeta Terra são incompreensíveis sem o entendimento do termo nação e do vocabulário que dele deriva.” (Hobsbawm, 1990, p.11)


Introdução: 

É com muita estima que estou escrevendo este artigo. Nacionalismos é minha especialidade acadêmica, e é um dos maiores prazeres que me cabe estudar tal evento histórico.

* O termo nação conforme se aplica hoje foi constituído durante as Revoluções Liberais na Europa oitocentista ( evento histórico chamado de ''Primavera dos Povos'', originado da Revolução Francesa), onde  conjunto de cidadãos cuja soberania coletiva dá origem às leis e às instituições do Estado;

* À partir destas revoluções, há um crescente vínculo entre nação e território, derivada da ênfase concedida às noções de independência política e autodeterminação popular;

* Surge na humanidade uma aproximação problemática entre ''nação'' como corpo de cidadãos de um Estado e como fruto de uma identidade étnica, cultural e linguística;

* Acontece uma integração entre a nação como compartilhamento de princípios e valores políticos e nação como pertencimento a uma mesma comunidade etnolinguística;

Nação e Nacionalismo são construções humanas, algo que não existe desde de sempre na História da humanidade.





A etnologia da palavra ''nação'' tem origem nas regiões que hoje compõe a Alemanha durante a Idade Moderna. Tinha um sentido unicamente de designar um povo dotado de identidade cultural. Uma questão de identificação cultural. Bem diferente do que é usado hoje.


Existem duas definições históricas sobre Nações e Nacionalismo, ambas oriundas do século XIX europeu, uma vertente de origem liberal e francesa, outra romântica e alemã. 


Duas respostas para uma mesma pergunta, duas definições que jamais se fundiram, transcorrendo paralelamente uma a outra. 


Conceito liberal de Nação:




O conceito de nação é oriundo de uma História bem recente, curta. Vem do final do século XVIII.

O Iluminismo tem origem no Direito Romano. O Liberalismo é o modelo a ser exportado para o mundo todo pelo Ocidente.



Os adeptos do ideal liberal de nação creditavam que a  razão conduzirá a humanidade a superar suas diferenças culturais, e levará ao entendimento de que a humanidade é uma só, Universal, uma única pátria. 



O marco histórico é a Revolução Francesa, onde nação passa a a fazer parte da Política, surgindo assim o Estado-Nação. 


Antes, dentro da origem da etnologia de nação, ela poderia existir sem território, agora, com esta roupagem, não mais. Anteriormente Estado e nação eram coisas distintas, a partir da Revolução Francesa se encontram, se fundem.

Nação/Soberania Popular = Território.

A Revolução Francesa traz um novo princípio de poder no Ocidente, traz o conceito de Soberania Popular, até então inédito na História da Humanidade.

De acordo com o pensamento implantado no Ocidente à partir deste período histórico, o Liberalismo,  Estado agora não é mais uma compilação entre os monarcas e suas cortes, é a nação/povo, dois conceitos muito próximos à partir daqui.

A nação passa a ser uma entidade política, baseada no cidadão, já povo, um conjunto de cidadãos dotados de liberdade. O símbolo máximo destas novas roupagens destes conceitos é a eleição. 



Nação é uma entidade coletiva com origem da vontade coletiva, segundo o pensamento liberal.


A ideia é de consentimento, ''se reconhecer'', onde a História comum de cada povo é importante, porém, está submissa a razão. Nação é um caráter eletivo.

A humanidade através da razão, superará as diferenças entre povos, entendendo de uma vez que só existe uma única pátria, a própria humanidade. 

Receio demonstrado pelo filósofo francês iluminista Renan de que a valorização acentuada do ideal nacional levaria a humanidade a barbárie, as guerras, temor de conflitos, onde a razão seria o antídoto a isto.

Vários povos americanos e asiáticos vão levantar a bandeira do Liberalismo.

A definição máxima de Nação para o Liberalismo é:


''Nação é um plebiscito diário, uma entidade que se define em termos políticos e jurídicos, a cidadania é sua base, e a vontade individual é sua essência mais pura.'' Ernest Renan, filósofo liberal francês.



O Liberalismo dá origem ao Imperialismo, a ONU e a União Européia.



Conceito romântico de Nação:






Paralela ao conceito de Nação oriundo do Liberalismo, está sua definição oriunda do Romantismo alemão.

Segundo esta definição para o conceito, pertencer a uma nação é uma questão que não é apenas política, é cultural, étnica e linguística. É uma maneira de viver no mundo. 

Durante o século XIX, no víeis romântico, a cultura é mais importante que a política, um processo paralelo ao liberal de formação de nações. 



Unificada apenas em 1871, a Alemanha depende muito das obras literárias e românticas para definir seu processo unificador, construir a nação alemã, não é atoa que esta visão romântica de nacionalismo tem neste país seu quartel general.


Existiam os alemães há relativo tempo, porém, ainda não existia a Alemanha.

O nacionalismo alemão é uma resposta a universalidade da Revolução Francesa. 

Herder, principal nome da corrente romântica na Alemanha, e ferrenho crítico de Immanuel Kant, iluminista alemão, o ideal de nação é uma reação a um princípio anterior, sobretudo as invasões napoleônicas do início do século, uma vez que o ditador francês se valia da ideia de ''universalizar'' o mundo através dos valores da razão iluminista.

Para o romantismo alemão, o ideal de nação não se fundamenta na razão humana, e sim nos laços familiares, as raízes mais profundas do coração humano. Contraponto de resistência cultural a insistência iluminista francesa de impor ao mundo uma única concepção de nação.

A primeira intenção não é desmerecer o estrangeiro, mas valorizar o nacional.

A ideia aqui apresentada é a de que existe uma diferença radical entre as nações, e que por isso mesmo não se pode ter um governo único, um contraponto ao Iluminismo que entendia que nações serão superadas para que haja uma única pátria: a humanidade.

Cada nação possui uma identidade própria, sendo para Herder impossível as diferenças entre elas ser superadas. Não com guerras, mas com uma convivência.

Esta corrente culturalista alemã, tem influência direta nos ideais que embalam o governo nazista, embora Hitler e os demais a distorcem para tal.

''Nação não é uma questão de escolha, assim como pertencer a uma família, é fruto do destino. O cosmopolitismo exagerado é um mal, destrói o sentimento mais puro de identificação nacional. A alma de toda nação é a sociedade, não o Estado. '' Johann Gottfried von Herder 


Diferenças das duas vertentes históricas:

Liberalismo de origem francesa e iluminista:



Nação é uma escolha racional. A cultura é submissa a política. Nacionalismo é uma opção racional, um contrato, uma abstração racional. Conceito de naturalização, caráter eletivo. A razão é o caminho de freio ao sentimento nacional, que é perigoso e leva as guerras. Cultura submissa a Política.



Romantismo de origem alemã  e cultural: 


Nação é fruto do destino. A política está submissa a cultura. Virtude étnica oriunda do nascimento, um destino, sentimento mais puro que emana da alma humana. As diferenças entre diferentes nações existe, jamais serão superadas, devem ser respeitadas. Política submissa a Cultura.





Referências Bibliográficas de apoio:


HOBSBAWM, Eric. Nações e Nacionalismo Desde 1780. Rio de Janeiro: Paz e terra, 1990.


HERMET, Guy. História das Nações e do Nacionalismo na Europa. Lisboa: Estampa, 1996. 











              








1 comentários:

  1. Muito bom o seu artigo, tirou todas as minhas dúvidas, e me ajudou bastante na hora da prova.
    Parabéns

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