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Nilson (Nil) Pereira

Nilson (Nil) Pereira
Um Discípulo Professor vivendo para ser Bíblico e Missional, Pastor de Família e Escritor Amador.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O século XIX : o espetáculo do caos.



Por Nilson Pereira.

O século XIX é sem sombra de dúvidas o período histórico de transformações sem precedentes na humanidade.

Neste recorte temporal, ocorrem transformações sociais, políticas, econômicas e culturais que rompem definitivamente com toda uma ordem e forma de vida milenar do continente europeu, e que se alastram por todo o planeta de forma gradual e não linear.

O século XIX inaugura a chamada Idade Contemporânea, e justo com esta, uma nova dinâmica humana.

O período oitocentista é marcado pelo ineditismo, dentre eles, o fato de que, pela primeira vez na História da humanidade, a população se desloca em massa dos campos para as cidades, fazendo com que os grandes centros urbanos sejam daqui por diante, o espaço geográfico mais povoado de forma nunca vista até então pelo ser humano.

O historiador alemão Hagen Schulze descreve que há, neste período, um ''crescimento fantasticamente caótico'', uma vez que as grandes cidades não tinham estruturas para suportar tamanho êxodo rural.

O super povoamento dos centros urbanos da Europa Ocidental vai gerar transformações em várias esferas sociais, assim como em variados espaços geográficos espalhados pelo globo terrestre.

Schulze diz que, a Europa oitocentista é uma região de pobres imigrantes que  ecoam não apenas para as metrópoles européias, mas também para todo o planeta. 



O século XIX é também o período no qual um determinado grupo social específico, que reivindica o poder há séculos finalmente se consolida como governante: a alta burguesia.

Na maioria dos casos, os burgueses estabelecem acordos com a antiga ordem de aristocratas, e não um conflito, o que faz significativo dizer que a nobreza de sangue não desaparece, porém permita a burguesia ser detentora do poder político dos Estados da Europa Ocidental.

Para a nobreza vale a máxima : vão se os anéis, porém ficam os dedos. 

Esta aliança entre a burguesia e a nobreza é histórica e inédita, uma vez que os dois grupos sociais são, até aqui, inimigos históricos. As ideologias divergentes dão lugar a uma aproximação movida pelos interesses em comum, uma defesa sobretudo da manutenção do direito de propriedade, através do Liberalismo.

A alta burguesia vai se valer do ideal do nacionalismo para consolidar seu poder. 




O acúmulo assustador de pessoas nos grandes centros é de certa forma, benéfico para a alta burguesia, pois estes são proprietários de fábricas e indústrias. Uma grande quantidade de miseráveis nos grandes centros urbanos faria com que estes miseráveis topassem qualquer tipo de emprego, com quaisquer condições de trabalho, e com qualquer salário, simplesmente para não morrer de fome, tal como toda a sua família.
Para os burgueses proprietários de grandes fábricas, a preocupação estava depositada na massa de pobres que não fazia parte do que o grande Eric Hobsbawm chama de '' mundo dos trabalho'', as chamadas classes perigosas. 

O período oitocentista da Europa Ocidental é marcado desenvolvimentos de novas formas de se trabalhar a terra, novas formas de aproveitamento de alimentos, novas formas de higienização, e de uma queda considerável da taxa de mortalidade infantil, valendo lembrar que a taxa de natalidade continuava a crescer.

Tudo  isto faz com que haja um acentuadíssimo crescimento demográfico, tanto nas cidades quanto no campo.


O século XIX é o século cujo o processo da chamada Revolução Científica do século XVIII  se consolida, aliado a todas as transformações de inovações tecnológicas voltadas para atender as fábricas, e as contestações ao quadro social secular, fazendo com que as ciências modernas surjam. 



O século XIX tem como grande marca a dicotomia poderosa entre o luxo e a miséria que marca o Capitalismo, de um forma tão acentuada que faz chamar a atenção a quantidade de estudos historiográficos feitos até os dias de hoje que vão tratar de analisar como convivem o luxo e a miséria dos grandes centros urbanos europeus, sobretudo Londres e Paris, as maiores cidades da época. É sem dúvidas o que mais ressalta aos olhos dos intelectuais, tanto os de hoje, quanto os da época.



Nas questões políticas, observam-se 3 modelos políticos inovadores no século XIX europeu:

Monarquia Parlamentar, o modelo preferido da alta burguesia.

República Democrática, preferida pela classe média.

Ditadura Popular Revolucionária, preferida pelos trabalhadores urbanos. 

A igualdade legal trazida pela Revolução Francesa no fim do século anterior, não é em geral mais bem aceita, nem pela classe média, nem pela massa de trabalhadores pobres.

A reivindicação é agora de uma igualdade social. 

As reivindicações pelo fim da propriedade privada  feita pelas classes de trabalhadores, vão tornando força, e fazem com que a bandeira tricolor da Revolução Francesa dê margem a bandeira vermelha do Socialismo, que toma corpo intelectual e politicamente ativo em 1820.







Surge aqui o desenvolvimento de uma nova forma de se fazer política.


O desenvolvimento da imprensa e  a mais efetiva circulação de livros faz com que surja a opinião pública.

Mesmo os analfabetos podem agora, de certa forma, participar da dinâmica política, devido aos ávidos discursos políticos e a panfletagem de ideologias.

Há, daqui por diante, uma necessidade de organização partidária para reivindicar interesses políticos, no caso dos trabalhadores, acontece de forma gradual este processo.

O direito a voto ainda é censitário, de acordo com a renda, porém, crescem cada vez mais reivindicações ao Sufrágio Universal masculino, que de fato é efetivado na França na segunda metade do século.

No século XIX, sobretudo nos EUA, surgem várias seitas derivadas do protestantismo, como os Adventistas, os Testemunhas de Jeová, os Mórmons, dentre outros. 


A França é o tambor político, enquanto a Inglaterra o tambor econômico.

A sociedade vai se tornando cada vez mais individualista, na medida em que o Capital vai se consolidando como relação social vigente.

A proximidade entre a classe média e a massa de pobres trabalhadores, uma das principais marcas da Revolução Francesa, vai se perdendo. A classe média( ou baixa burguesia) vê no desejo dos trabalhadores quanto o fim da propriedade privada uma grande ameaça.

A classe média vive uma brutal dicotomia a partir daqui, ódio aos ricos, porém, medo dos pobres, já que apesar de poucas e pequenas, esta classe social possuía propriedade a serem zeladas por estes.


A alta burguesia eram os liberais moderados, a classe média os radiciais democratas ( lembrando que aqui Democracia ainda é vista como Revolução, o Liberalismo ainda não se confundiu com esta neste momento histórico), e os trabalhadores vão se aproximando cada vez mais da circulação de ideais socialistas. 


A alta burguesia defendia a Monarquia parlamentar porque detinham o poder político, já que este migra da corte para o parlamento neste regime, e também porque em uma sociedade de tantos contrastes sociais, a figura do rei fascinava as pessoas comuns, sendo um símbolo nacional e um instrumento de controle ideológico, como consequência. 

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