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Lex Luthor e o que eu seria sem Jesus.

Por Nilson Pereira.  Primeiramente quero deixar claro que este texto é destinado a cristãos bíblicos e maduros que entend...

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Nilson (Nil) Pereira

Nilson (Nil) Pereira
Um Discípulo Professor vivendo para ser Bíblico e Missional, Pastor de Família e Escritor Amador.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O cristão e o sexo no contexto histórico e cultural luso-brasileiro.




Por Nilson Pereira.


Somos uma nação que historicamente foi colonizada pelos portugueses. Mesmo levando em conta o verdadeiro ''caldeirão'' étnico e cultural que a América em um todo é, e inegável que, historicamente, a influência portuguesa na cultura brasileira é a mais difundida, sobretudo nas questões ligadas ao Cristianismo.

Por séculos a Igreja Católica ligada a coroa portuguesa era a única a versar sobre toda a questão cristã no território da antiga América lusitana que se tornaria o Brasil, portanto, é impossível versar sobre a adaptação que o Evangelho promove a cultura daqui sem olhar antes para os portugueses e historicizá-los. Portugal é uma nação que etnologicamente tem origem na fusão de várias outras etnias, romanos, que na Antiguidade povoaram fortemente a Península Ibérica, e os mouros, povo árabe e muçulmano que ocupa o território citado durante a Idade Média, estão entre eles. O catolicismo português, corrente teológica que domina o imaginário brasileiro pelo menos até o século XIX, e que é muito forte em influência até os dias de hoje, sofreu sensível e considerável influência do Islamismo trazido a Portugal pelos mouros.


A visão de Deus dentro do catolicismo tradicional propagado aqui no Brasil é uma visão de punidor, de juízo, de ira. Semelhante a visão dos mouros, povo de origem árabe que migrou numa escala grandiosa a Portugal na Idade Média, um povo muçulmano. Estas duas visões tradicionalistas trazidas pelos portugueses, não tem ligação ao Deus que a Bíblia relata, sobretudo na figura de Cristo. Um deus de misericórdia apenas aos que cumprem fielmente as doutrinas e metodologias foi um deus útil a Igreja Romana, durante toda a Idade Média e Idade Moderna. Para ressaltar tal imaginário, faltava a criação de algum tipo de ''vilão'', o sexo foi um dos escolhidos para tal. Diante de uma sociedade que vinha de uma Antiguidade Clássica, onde o pudor sexual praticamente não existia nas práticas greco-romanas, ao ponto dos apóstolos demonstrarem claramente que os cristãos deveriam se abster da imoralidade por diversos textos bíblicos, nada mais viria a calhar melhor do que punir o sexo totalmente, limitando-o a procriação, indo de um extremo ao outro. A prática romana era de proibir o acesso as Escrituras Sagradas da grande massa, restringindo a ordem dos oratores e bellatores, nobres e clérigos medievais.


Textos como Sl 51:5, onde Davi fala que foi concebido em pecado ( porém, claramente não está falando da questão sexual, e sim da natureza humana que herdamos com o pecado de Adão e Eva), ou o conselho do apóstolo Paulo aos coríntios em I CO 7 de não se casarem,( por razões sociais e históricas da maior perseguição que o mundo já viu aos cristãos no governo de Nero em Roma, logo não era recomendável casar e ter filhos naquelas condições, uma vez que Paulo era fariseu antes de se converter, portanto, dentro da cultura judáica, provavelmente foi casado), foram deturpados para trazer medo na relação povo/Deus e obter o controle de diversas questões sociais da época, como a herança e outras. 

Até a Reforma protestante efetivada por Lutero, as missas eram feitas em latim, e a Bíblia era escrita na mesma língua, e de dificílimo acesso, como pela graça do Altíssimo vivemos no pós-Reforma, onde o Deus Altíssimo usou homens como Martinho Lutero e João Calvino para iniciar o processo constante de traduzir o cânone das Escrituras em todas as línguas, analisaremos o sexo a luz bíblica, a Palavra de Deus.

Biblicamente, o sexo é visto como um dos maiores presentes de Deus para a humanidade. Textos como o capítulo 6 da carta do apóstolo Paulo aos efésios, o livro de Gênesis, e todo um livro canônico voltado para o amor conjugal, como é o de Cantares, dentre outros,  demonstram o quanto o sexo é espiritual, é emocional, é físico. A Bíblia demonstra que o sexo é uma ligação espiritual, a mais íntima que há entre duas pessoas, sendo o ápice de uma linda história de amor conduzida por Deus.

A única possibilidade de pecado que a Bíblia relata para que um cristão ''corra'', é a possibilidade de imoralidade sexual, exatamente porque o desejo sexual não deve ser extirpado dos seres humanos, deve ser apenas controlado, ao contrário da ira excessiva, da vingança, da inveja e demais sentimentos negativistas que o homem é capaz de sentir. A Bíblia é enfática ao demonstrar que Deus não criou o sexo apenas para procriação, mas para ser o maior tempero de um relacionamento monogâmico, abençoado por Ele, e que forme a relação social mais amada por Deus na História: a família.


Minha experiência com ensino e como discípulo de Jesus me permite perceber o quanto os cristãos no Brasil são equivocados no assunto sexo, se deixam limitar por homens que dão sequência ao catolicismo tradicional e punem o sexo, limitando um dos maiores bens que Deus deu ao ser humano. Vejo meninas dizendo ter ''nojo'' de sexo, vejo homens sendo controlados pelos seus impulsos sexuais ao invés do contrário, e vice versa. A Cristandade brasileira ainda é muito influenciada pelo catolicismo barroco e colonial português, o que gera aberrações teológicas como um ensino que leva a casais a terem vergonha de nutrir desejo sexual entre si, já que supostamente o desejo sexual seria fruto da Total Depravação humana, e não de um desejo natural e saudável (se, claro, estiver dentro do conceito bíblico de sexo, vale frisar) criado por Deus em nós,  ou o outro extremo disto, gente que não consegue controlar-se e que tenta seduzir os irmãos dentro da Igreja. O cristão brasileiro, via de regra, não sabe lidar com o sexo de forma bíblica. 

O sexo matrimonial é um dos pontos mais valiosos nas Escrituras, ao ponto de existir todo um livro canônico, Cantares, sobre o tema e como alegoria da relação Deus/Povo, de textos como o de Gênesis 2:24 e do belíssimo capítulo de Efésios 5, onde Paulo dizer que o corpo do homem pertencem a mulher, e vice versa, e ambos pertencem ao Senhor.


O que é de fato bíblico é que sentir vontade sexual é de Deus, perder o controle dela é  pecado. Fazer sexo é muito de Deus, viver abrasado e fazer antes de firma um compromisso ad eternum  com um indivíduo de sexo oposto é pecado. Sexo feito dentro das leis de Deus, dentro de um compromisso instituído  aumenta a intimidade, aumenta a espiritualidade. Ter uma sexualidade saudável é fundamental para qualquer Cristianismo.Devemos sim tomar cuidado com a sensualidade, que é exatamente a deturpação, ou o descontrole da sexualidade. 

Chega de brasileiros cristãos se punindo por conta das questões envolvendo o sexo. O sentimento de culpa evoca o pecado, traz o erro. Que possamos viver uma sexualidade saudável a luz das Escrituras, onde, ou você está remido definitivamente em Cristo em relação ao seu passado, ou você está gozando do melhor em um relacionamento sexual bíblico e abençoado por Deus. 

O casamento cristão é muito mais do que sexo, é a mais bela unidade básica da formação de um povo que serve ao Senhor, basta entender  que Ele o criou antes de Israel e da Igreja, porém, o sexo feito dentro do casamento e abençoado por Deus é um presente único e especial dado pelo Criador a Seus seguidores.

Dentro de um casamento cristão a carga de culpa, muitas vezes ocorrida por conta desta herança teológica deturpada advinda de um Cristianismo barroco, deve ser cessada de uma vez, pois é um dos mais importantes princípios bíblicos de que em Cristo são renovada todas as coisas (2 Co 5:16-18). Não há porque, em um relacionamento genuinamente cristão e baseado na Bíblia, haver alguma das partes que se considere mais puro ou mais santo nesta área que a outra, ou mesmo na mente de um solteiro redimido em Cristo, pois Jesus renova todas as nossas áreas, em outras palavras, em Cristo, todos somos puros sexualmente de novo. Não é a virgindade ou a lascívia de outrora que conta, e sim o nosso estado atual, de remidos em Cristo Jesus. 

Deus nos abençoe.

PS: Recomendo a leitura de 3 livros:

Qual a diferença? Masculinidade e Feminilidade de acordo com a Bíblia - de John Piper e publicado pela editora Tempo de Colheita.

Casamento Temporário - de John Piper e publicando aqui pela editora Mundo Cristão. 

O Significado do Casamento - de Timothy Keller e esposa, publicado pela editora Vida Nova. 







quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Romantismo, Nacionalismo e a construção do ideário nacional no Brasil.



Por Nilson Pereira.

Lilia Schwarz, historiadora e professora da USP, versa sobre a vida de imperador D. Pedro II, ressalta a ideia de necessidade que o Estado brasileiro no segundo reinado tinha de reforçar o ideal de nação, com o ímpeto de enfraquecer os regionalismos, que ganhavam ainda mais força no período histórico anterior ao reinado do Pedro II, o regencial.

Para tal, a autora expõe os 3 instrumentos que o Estado vai se valer para reforçar a ideia de nação para com o povo:

I- O IHGB( Instituto de História e Geografia do Brasil), que tinha uma função de construir o ideário nacionalista se valendo da memória, das construções de heróis nacionais, de um passado glorioso, uma historiografia bem aos moldes do século XIX que procura resgatar o passado e dá-lo um sentido construído de nacionalismo.




O IHGB direciona toda a intelectualidade brasileira a construírem o ideário nacionalista, com poemas e obras fictícios(como por exemplo ''Iracema'' de José de Alencar) reforçando uma visão ''renascentista'' das características das belezas naturais do território e da nação como um todo, exaltando elementos como a ampla natureza e os ameríndios, primeiros habitantes do território brasileiro.



Era necessário que todas as obras literárias se valessem da exaltação dos ''elementos da nação'', característica esta descritiva do Romantismo do século XIX como movimento literário.

II - Outra importante ferramenta foi a Academia de Belas Artes. A iconografia era essencial dentro de uma sociedade cujo o maior percentual de pessoas eram analfabetas.



III - A terceira ferramenta de inserção de construção de nação foi o Colégio Pedro II, que existe até os dias de hoje no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. 

o colégio levava o nome do Imperador, tinha por característica principal preparar, dentro desta construção de idealização nacional, a nova geração, os filhos das elites. 

Vale ressaltar que tanto o IHGB, quanto a Academia de Belas Artes, eram extremamente influenciados pelo modelo europeu, tanto o teórico quanto o arquitetônico,  sobretudo da França. 



A Lei do Ventre Livre de 1871 e o início do fim da Monarquia. Surge a República e a Abolição.

Por Nilson Pereira.

José Murilo de Carvalho vai trazer em sua obra intitulada ''O Teatro das Sombras''  descrever historiograficamente o contexto do período que vai levar a Abolição da Escravatura.

O autor vai frisar que a Lei Euzébio de Queiroz que extingue oficialmente o tráfico negreiro no Brasil, teve o apoio das elites como um todo, porque ainda que estas fossem compostas por proprietários de escravos, havia toda uma tensão entre as elites e os traficantes de escravos, que apesar de não possuírem poder político, detinham poder econômico cada vez maior.


Para estas elites escravocratas, extinguir o tráfico negreiro era o ideal, porque estas já possuíam grande quantidade de escravos e ainda por cima eliminariam a fonte do poder econômico dos traficantes.

A Lei do Ventre Livre de 1871, que dava alforria a todos os filhos de escravos ao atingirem a maioridade e nascidos a partir da data de promulgação da lei, faz rachar as já estremecidas relações entre a Monarquia e os proprietários de escravos, que vem assim desde a Guerra do Paraguai.

O Estado queria limitar o poder dos proprietários, com a intenção de controlá-los nas questões políticas e econômicas.


Vale ressaltar que a Lei do Ventre Livre racha as próprias elites, uma vez que as elites do Norte e Nordeste são o favor da lei, já que não possuíam uma dependência tão grande de mão-de-obra escrava, e as elites do Sul e do Sudeste são contra, por possuírem forte dependência do escravismo.

O panorama sócio-político da Guerra do Paraguai no Brasil.


Por Nilson Pereira.

Segundo o historiador Victor Izelchson, o primeiro problema que pode ser citado em relação ao recrutamento do exército brasileiro no que tange a Guerra do Paraguai, está no fato de que os senhores de escravos não queriam liberar os mesmos para lutar na guerra. Os latifundiários exerciam forte resistência aos interesses monárquicos quanto a questão do recrutamento.



A solução única encontrada pelo Estado brasileiro, foi comprar estes escravos aos seus senhores e dá-los alforria para lutarem na guerra, o que vai esvaziar ainda mais os cofres do Império.

Estes, outrora escravos e agora libertos, eram chamados, segundo o autor de ''escravos da pátria''.


Pelo fato de que o Imperador, ao alforriá-los como condição de participar da guerra,  a historiografia atual não trabalha com a ideia de que o exército brasileiro na guerra um exército de escravos.

Um outro problema relevante a ser considerado deste contexto histórico é o fato de que o recrutamento da Guarda Nacional( instrumento de poder local existente desde o período regencial) cujo, os seus membros ficam rapidamente descontentes de ter que '' se igualarem'' aos demais segmentos que compunhavam o exército brasileiro na guerra. 


Os membros da Guarda Nacional foram importantes para que o Brasil vencesse a guerra, porém, de certa forma, eram um entrave no esforço do Estado brasileiro de construir uma identidade nacional, uma vez que se tratavam de uma força militar regional e provinciana.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

520 anos de um Novo Mundo.

Por Nilson Pereira.



No dia 12 de outubro de 1942, o navegador genovês, mas que navegava pelo reino de Castela, aportava em terras do que iria ser tornar o continente americano.



Colombo chegava na região que hoje é o Caribe, e inicia um período que vai se consolidar a maior integração de um território com o mundo conhecido em sua época.


O continente que receberia o nome de seu cartógrafo oficial : América Vespúcio.

Colombo iria servir como referência para que portugueses, ingleses, franceses, holandeses, italianos, alemães, africanos, asiáticos e outros chegassem na América e tornasse o nosso continente como o mais cosmopolita da História humana.


Uma História escrita com suor e sangue, de europeus, africanos e sobretudo ameríndios.


Como historiador, e como americano, me sinto emocionado por esta data. 

Nos Estados Unidos e em todas nações que compunhavam a antiga América espanhola, o dia 12 de outubro 

 Lamento que no Brasil esta data passe desapercebida, afinal o Brasil faz parte, historicamente, de uma significativa parcela do continente no qual está inserido. 

Feliz dia de Colombo, ou Colombus day, ou Día de la Raza, como quiserem. 



terça-feira, 9 de outubro de 2012

Questão nacional e democracia na América Latina Contemporânea.


Representação de nação e democracia nos discursos de Hugo Chávez. 




Por Nilson Pereira.

No início do livro organizado pela historiadora e professora da Universidade de São Paulo, Maria Lígia Prado, percebe-se que as autoras deram ênfase ao fato de um ''encontro'' de governos de esquerda em relação aos países latino-americanos desde o fim do século XX.

Perceptível, embora implícito no texto, é o fato desta tendência ser confirmada no pós-períodos ditatoriais em grande parte das nações que compõem o subcontinente, onde os candidatos de esquerda representavam uma espécie de ''novo momento'' político e econômico, baseado na abertura comercial e ideais neoliberais.

Destaca-se no texto que esta nova tendência dos rumos político-econômicos da América Latina, não conseguiu fazer com que a realidade de desigualdade social e dificuldades econômicas dos países que a compõe tivessem fim, nem ao menos uma melhora (PRADO, SOARES, COLOMBO, 2007, p. 15-17).
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 Propõe-se uma questão, onde estaria o problema. Seria na Democracia em si, ou nas más administrações de políticos corruptos, outra marca infelizmente, do continente.

Com exemplos como o impeachment de Fernando Collor de Melo no Brasil, primeiro presidente eleito diretamente pelo povo desde o fim dos longínquos anos de Ditadura Militar, as autoras citam uma constatação sobre a viabilidade democrática na América Latina, no fim dos anos de 1990 e início do século XXI.

Citam uma pesquisa de uma ONG sediada em Santiago no Chile chamada  Latinobarómetro, que realiza enquetes anuais em 18 dos países latinos, onde há, segundo as autoras, diferentes graus de apoio e aceitação em relação ao sistema democrático (PRADO, SOARES, COLOMBO, 2007, p. 16).

Destaca-se na pesquisa Brasil e Peru como exemplo de países onde o apoio popular ao sistema democrático caiu consideravelmente ao longo dos anos, e a Venezuela como exemplo onde o apoio democrático tem crescido fortemente nos anos de governo de Hugo Chávez. Uruguai e Costa Rica, segundo os dados da pesquisa, continuam a serem desde o início da iniciativa da ONG, os povos mais adeptos a Democracia no subcontinente.

O país latino-americano que mais tem chamado à atenção da comunidade internacional em relação ao modelo político é de longe, segundo as autoras, a Venezuela, que está submetida desde 1999, há um governo liderado por Hugo Chávez, com ideais esquerdistas, populistas e nacionalistas, que é divido entre as classes mais populares, adeptas fiéis ao governo Chávez, e as classes médias, mídias e elites, ferrenhas críticas ao seu governo.

As autoras citam, ao discorrer sobre o panorama político da Bolívia, a influência que o governo Chávez exerce sobre Evo Morales, que segue o modelo do presidente venezuelano no país no qual governa.


Cuba aparece como uma espécie de contraponto, onde o regime socialista no qual a Ilha caribenha está submetida desde os anos de 1960, faz crescer depois da queda da URSS nos anos de 1980, uma insatisfação e um aumento de números de exilados que anseiam por uma redemocratização cubana e o fim do regime da família Castro.

As autoras destacam que os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, em Nova York e Washington, nos EUA foram uma espécie de marco do enfraquecimento do dirigismo norte-americano em questões econômicas, políticas e ideológicas, havendo assim uma aproximação econômica entre os países latinos, sobretudo, com um fortalecimento e uma retomada das negociações do MERCOSUL, e de uma busca de diálogos entre o extremo sul do continente com os países andinos, que compõe o norte da América do Sul.

Destacam a ascensão ao poder de presidentes progressistas de origem, como Néstor Kirchner na Argentina, Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, Hugo Chávez na Venezuela, Rafael Correa no Equador, Tabaré Vásquez no Uruguai, Michele Bachelet no Chile (primeira presidente mulher da História da América Latina) e Evo Morales da Bolívia.

O escritor Jorge Castañeda é citado como contraponto de exposição das diferenças entre os presidentes citados, onde, na opinião dele, a América do Sul, teria tomado corpo dois tipos de partidos de esquerda, uma corrente moderna, reformista e internacionalista, com raízes na esquerda linha dura do passado recente, representados por Lula, Bachalet e Tabaré, e uma nascida da grande tradição populista latino-americana, nacionalista, estridente, e de mentalidade fechada, representada por Chávez, Morales, Castro e pela família Kirchner, que governa a Argentina há décadas (PRADO, SOARES, COLOMBO, 2007. p. 28).

Jorge Castañeda ainda cita o que ele chama de ''tsunami de esquerda'' na qual a América Latina está submetida hoje.

Exceção a esta regra, quanto ao acesso ao poder dos partidos de esquerda, está à Colômbia, que optou por um governo de direita como tentativa de conter o avanço do narcotráfico, segundo as autoras.
O historiador mexicano Carlos Antônio Aguirre Rojas, analisa o subcontinente latino-americano através de seus aspectos culturais.

Em sua obra intitulada ‘’América Latina: História e presente’’, focada na internacionalidade, miscigenação, cosmopolitismo, Rojas trabalha com um conceito próprio sobre uma civilização latino-americana (ROJAS, 2004. p. 23-44).

Rojas destaca as características de internacionalidade e miscigenação, no que se refere à América latina.

Vê o subcontinente como uma espécie de ‘’nova liderança mundial’’, que seria implantada a partir da queda do capitalismo como relação social vigente. 

Rojas se utiliza de questões como o cosmopolitismo e miscigenação, explicados pelos contextos históricos da América latina, como a colonização, as crescentes imigrações europeias e asiáticas do fim do século XIX e início do século XX na qual a região é submetida, para basear suas teses da emersão do subcontinente como possível futura potência.

Destaca ainda a grandiosidade (tanto populacional, quanto de diversidade e ainda de estrutura) e o grande cosmopolitismo de cidades latinas como São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México e Buenos Aires, para tal.

Aguirre Rojas ainda destaca para dar forma a sua tese, a ideia de que a América Latina é a origem de nações que terão destaque mundial de liderança também por questões econômicas.

Cita o Brasil, com sua ampla riqueza de recursos naturais variados, o México com sua capacidade industrial, o Chile como exportador de minérios e a Venezuela, ampla produtora de petróleo, uma das maiores do planeta, como possíveis potências mundiais a nível econômico.

Gilberto Maringoni, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é o autor do único livro que fala especificamente sobre a História da Venezuela contemporânea.

Em seu livro ‘’A Revolução Venezuelana’’, destaca características impares dos contextos históricos, sociais e políticos do país como uma nação, desde contextos históricos anteriores ao governo de Hugo Chávez, partindo assim do século XIX, passando pelo século XX, onde nos últimos anos deste, Chávez assume o poder, e culminando no século XXI, onde está inserido a maior parte do governo chavista na atual Venezuela.

O autor destaca que a chegada ao poder de Chávez, tem alterado profundamente as realidades econômicas, sociais e políticas da Venezuela.


O governo de Chávez interrompeu o rodízio de poder que perdurava-se desde 1945, entre a AD (Aliança Democrática), de caráter socialdemocrata e a Copei, de caráter democrata-cristã.

A bandeira de uma ‘’ revolução bolivariana’’, levantada por Hugo Chavéz, é uma das maiores características do governo atual de Caracas.


Chavéz defende fielmente uma unificação latino-americana, assim como pregava Simón Bolivar, seu virtual e oficial inspirador, sobretudo no que discerne o campo econômico, combatendo com veemência ideológica a não intervenção e participação dos Estados Unidos nesta unificação latina.

No exercer de seu mandato, Chávez mudou a constituição, ampliando assim, dentre outras medidas, a quantidade de reeleições ao cargo de presidente da república.

Nacionalizou plenamente a maior fonte de riqueza da Venezuela, o petróleo, uma vez que o país é um dos maiores produtores deste na humanidade, canalizando assim, os recursos prioritariamente a programas sociais.

O autor destaca que o governo de Chávez, enfrenta forte pressão e oposição externa e interna.
Internamente, sofre oposição dos partidos mais tradicionais, dos grandes empresários, dos setores privados de comunicação e da Igreja. Externamente, sofre oposição do governo norte-americano, sobretudo.

O governo venezuelano atual, tem no populismo e na exaltação do nacionalismo seus pontos cruciais para se manter no poder, é acusado comumente de ‘’esquerdista retrógrado’’.

Chávez utiliza como ferramenta política, a chamada democracia participativa, convocando plebiscitos com teor popular para agir nas circunstâncias mais importantes de seu governo. Valendo ressaltar que na maior parte das Repúblicas no mundo o sistema democrático é representativo, que consiste no fato do povo eleger através de eleições diretas os chamados ‘’representantes da soberania popular’’, no que discerne das decisões legislativas e executivas de uma nação.

Gilberto Maringoni preocupa-se em demonstrar que o processo político e histórico que pôs Hugo Chávez no poder, não se constitui em uma revolução, no conceito puro da palavra, justificando sua tese no fato de que a chegada ao poder de Hugo Chávez não se deu através de uma ruptura estrutural da sociedade venezuelana, apesar das significativas reformas sociais e inéditas implementadas, e o deslocamento evidente das elites tradicionais do poder na Venezuela (MARINGONI, 2009. p. 171-189).  



Bibliografias:

PRADO, Maria Lígia; SOARES, Gabriela; COLOMBO, Sylvia. Reflexões sobre a democracia na América Latina. São Paulo, Senac, 2007.


AGUIRRE ROJAS, Carlos Antônio. América Latina: História e presente. Campinas, Papirus, 2004.

MARINGONI, Gilberto. A Revolução Venezuelana. São Paulo, UNESP, 2009.

O panorama histórico das origens da Revolução Mexicana.




Por Nilson Pereira.

As economias latino americanas no fim do século XIX e início do XX se caracterizavam por ter como força motriz a utilização de um produto primário ( não necessariamente o único, mas sim o principal) voltado para a exportação, pois trata-se de uma espécie de herança colonial, uma economia voltada para o mercado externo.

Com a crise da chamada Grande Depressão da década de 1930 nos Estados Unidos, principal parceiro econômico mexicano, a oligarquia ( elite que controlava  esta economia exportadora) que dominava a o país politicamente, começa a ser contestada.

Vale lembrar que para ser considerado um Estado Oligárquico, a elite deve deter o controle exportador deste produto que caracterizava a economia de um país latino, caso o contrário, não esta elite não era considerada oligárquica.

Houve um grande acúmulo de oferta, porém, uma forte queda na procura, uma vez que os EUA e a Europa se voltaram para dar maior ênfase a seus mercados internos por conta da Depressão.

Este desiquilíbrio na demanda exportadora, fez com que houvesse um crescimento forte do desemprego no México e nas nações latinas no geral, havendo assim como consequência, contestações aos governos oligárquicos, conforme dito anteriormente.

No México, o presidente era Porfírio Díaz, que já cumpria diversos mandatos a frente de seu país.


 Nas eleições que ocorrem no contexto desta crise econômica, Porfírio se ocupa de meios eleitorais claramente fraudulentos para chegar novamente ao poder, o que gera forte contestação popular e também de seu opositor nas eleições, Francisco Madeiro.


A sociedade mexicana era composta por dois contextos distintos, o norte, que era composto por maioria de pobres mestiços, e o sul, composto por maioria de descendentes de maias e aztecas, e que nunca se mantiveram satisfeitos com a mercantilização de suas terras comunais promovida pelas reformas da dinastia dos Bourbons no século XVIII, quando a região do México ainda era a principal das regiões da colônia espanhola na América, e atendia pelo nome de Nova Espanha.



O norte do mexicano era urbano, o sul rural.

Tanto no norte, quanto no sul, cresce o descontentamento contra o governo de Porfírio Díaz, e a crise econômica, política e social que o país vinha atravessando.

No norte, surge um levante revolucionário liderado por Pancho Villa, no sul é liderado por Emiliano Zapata, embora não levantem as mesmas reivindicações, apoiam um ao outro.


As reivindicações dos dois movimentos eram semelhantes no que discerne sobre as questões sociais, como por exemplo, uma reforma agrária.

Porfírio Díaz acaba renunciando ao cargo de presidente devido as pressões.

Madeiro assume a presidência, com o apoio tanto de Villa quanto de Zapata, porém, não vai atender os interesses revolucionários dos dois grupos.

 A Revolução Mexicana começava a degringolar, como hora e dia marcados, o que a torna única em toda a História.

Hollywood se rende a importância histórica da Revolução, produzindo dois filmes, com sobre a vida de Zapata, onde Marlon Brando contracena como o revolucionário mexicano sulista, e um outro com Antonio Bandeiras, que interpreta Villa, revolucionário do norte.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O século XIX : o espetáculo do caos.



Por Nilson Pereira.

O século XIX é sem sombra de dúvidas o período histórico de transformações sem precedentes na humanidade.

Neste recorte temporal, ocorrem transformações sociais, políticas, econômicas e culturais que rompem definitivamente com toda uma ordem e forma de vida milenar do continente europeu, e que se alastram por todo o planeta de forma gradual e não linear.

O século XIX inaugura a chamada Idade Contemporânea, e justo com esta, uma nova dinâmica humana.

O período oitocentista é marcado pelo ineditismo, dentre eles, o fato de que, pela primeira vez na História da humanidade, a população se desloca em massa dos campos para as cidades, fazendo com que os grandes centros urbanos sejam daqui por diante, o espaço geográfico mais povoado de forma nunca vista até então pelo ser humano.

O historiador alemão Hagen Schulze descreve que há, neste período, um ''crescimento fantasticamente caótico'', uma vez que as grandes cidades não tinham estruturas para suportar tamanho êxodo rural.

O super povoamento dos centros urbanos da Europa Ocidental vai gerar transformações em várias esferas sociais, assim como em variados espaços geográficos espalhados pelo globo terrestre.

Schulze diz que, a Europa oitocentista é uma região de pobres imigrantes que  ecoam não apenas para as metrópoles européias, mas também para todo o planeta. 



O século XIX é também o período no qual um determinado grupo social específico, que reivindica o poder há séculos finalmente se consolida como governante: a alta burguesia.

Na maioria dos casos, os burgueses estabelecem acordos com a antiga ordem de aristocratas, e não um conflito, o que faz significativo dizer que a nobreza de sangue não desaparece, porém permita a burguesia ser detentora do poder político dos Estados da Europa Ocidental.

Para a nobreza vale a máxima : vão se os anéis, porém ficam os dedos. 

Esta aliança entre a burguesia e a nobreza é histórica e inédita, uma vez que os dois grupos sociais são, até aqui, inimigos históricos. As ideologias divergentes dão lugar a uma aproximação movida pelos interesses em comum, uma defesa sobretudo da manutenção do direito de propriedade, através do Liberalismo.

A alta burguesia vai se valer do ideal do nacionalismo para consolidar seu poder. 




O acúmulo assustador de pessoas nos grandes centros é de certa forma, benéfico para a alta burguesia, pois estes são proprietários de fábricas e indústrias. Uma grande quantidade de miseráveis nos grandes centros urbanos faria com que estes miseráveis topassem qualquer tipo de emprego, com quaisquer condições de trabalho, e com qualquer salário, simplesmente para não morrer de fome, tal como toda a sua família.
Para os burgueses proprietários de grandes fábricas, a preocupação estava depositada na massa de pobres que não fazia parte do que o grande Eric Hobsbawm chama de '' mundo dos trabalho'', as chamadas classes perigosas. 

O período oitocentista da Europa Ocidental é marcado desenvolvimentos de novas formas de se trabalhar a terra, novas formas de aproveitamento de alimentos, novas formas de higienização, e de uma queda considerável da taxa de mortalidade infantil, valendo lembrar que a taxa de natalidade continuava a crescer.

Tudo  isto faz com que haja um acentuadíssimo crescimento demográfico, tanto nas cidades quanto no campo.


O século XIX é o século cujo o processo da chamada Revolução Científica do século XVIII  se consolida, aliado a todas as transformações de inovações tecnológicas voltadas para atender as fábricas, e as contestações ao quadro social secular, fazendo com que as ciências modernas surjam. 



O século XIX tem como grande marca a dicotomia poderosa entre o luxo e a miséria que marca o Capitalismo, de um forma tão acentuada que faz chamar a atenção a quantidade de estudos historiográficos feitos até os dias de hoje que vão tratar de analisar como convivem o luxo e a miséria dos grandes centros urbanos europeus, sobretudo Londres e Paris, as maiores cidades da época. É sem dúvidas o que mais ressalta aos olhos dos intelectuais, tanto os de hoje, quanto os da época.



Nas questões políticas, observam-se 3 modelos políticos inovadores no século XIX europeu:

Monarquia Parlamentar, o modelo preferido da alta burguesia.

República Democrática, preferida pela classe média.

Ditadura Popular Revolucionária, preferida pelos trabalhadores urbanos. 

A igualdade legal trazida pela Revolução Francesa no fim do século anterior, não é em geral mais bem aceita, nem pela classe média, nem pela massa de trabalhadores pobres.

A reivindicação é agora de uma igualdade social. 

As reivindicações pelo fim da propriedade privada  feita pelas classes de trabalhadores, vão tornando força, e fazem com que a bandeira tricolor da Revolução Francesa dê margem a bandeira vermelha do Socialismo, que toma corpo intelectual e politicamente ativo em 1820.







Surge aqui o desenvolvimento de uma nova forma de se fazer política.


O desenvolvimento da imprensa e  a mais efetiva circulação de livros faz com que surja a opinião pública.

Mesmo os analfabetos podem agora, de certa forma, participar da dinâmica política, devido aos ávidos discursos políticos e a panfletagem de ideologias.

Há, daqui por diante, uma necessidade de organização partidária para reivindicar interesses políticos, no caso dos trabalhadores, acontece de forma gradual este processo.

O direito a voto ainda é censitário, de acordo com a renda, porém, crescem cada vez mais reivindicações ao Sufrágio Universal masculino, que de fato é efetivado na França na segunda metade do século.

No século XIX, sobretudo nos EUA, surgem várias seitas derivadas do protestantismo, como os Adventistas, os Testemunhas de Jeová, os Mórmons, dentre outros. 


A França é o tambor político, enquanto a Inglaterra o tambor econômico.

A sociedade vai se tornando cada vez mais individualista, na medida em que o Capital vai se consolidando como relação social vigente.

A proximidade entre a classe média e a massa de pobres trabalhadores, uma das principais marcas da Revolução Francesa, vai se perdendo. A classe média( ou baixa burguesia) vê no desejo dos trabalhadores quanto o fim da propriedade privada uma grande ameaça.

A classe média vive uma brutal dicotomia a partir daqui, ódio aos ricos, porém, medo dos pobres, já que apesar de poucas e pequenas, esta classe social possuía propriedade a serem zeladas por estes.


A alta burguesia eram os liberais moderados, a classe média os radiciais democratas ( lembrando que aqui Democracia ainda é vista como Revolução, o Liberalismo ainda não se confundiu com esta neste momento histórico), e os trabalhadores vão se aproximando cada vez mais da circulação de ideais socialistas. 


A alta burguesia defendia a Monarquia parlamentar porque detinham o poder político, já que este migra da corte para o parlamento neste regime, e também porque em uma sociedade de tantos contrastes sociais, a figura do rei fascinava as pessoas comuns, sendo um símbolo nacional e um instrumento de controle ideológico, como consequência. 

Verdadeiro Cristianismo:

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